Trabalha com arte computacional interativa desde 1987, usando
tecnologias computacionais de realidade virtual, computação afetiva e física.
Tânia Fraga
Artista e arquiteta com doutorado em comunicação e semiótica pela
PUC/SP, com a tese Simulações estereoscópicas Interativas. É professora do
Instituto de Artes da UnB e participa também como pesquisadora associada do
grupo de computação gráfica do Laboratório de Sistemas Integráveis, LSI, da
Escola Politécnica da USP. Desenvolveu parte do trabalho em arte computacional
nos Estados Unidos, em 1991 e 1992, onde esteve como professora visitante no
Departamento de Ciência da Computação na The George Washington University, em
Washington (DC), com bolsa Capes. Tem participado de exposições no Brasil, nos
Estados Unidos, na França, Itália e em Hong Kong. Em 1986, morou nos Estados
Unidos como artista residente com bolsa da Fulbright. Nos últimos anos, tem-se
dedicado a projetos para a rede Internet, esses trabalhos podem ser encontrados
em: http://www.lsi.usp.br/~tania/tania.html
e http://www.unb.br/vis/lvpa/.
De dezembro de 1998 a dezembro de 1999 desenvolveu projeto de pós-doutorado
sobre realidade virtual para a Internet, sob o título Poéticas Interativas em
Redes de Comunicação , no Centre for Advanced Inquiry in the Interactive Arts -
Technology and Art Research, CAiiA-STAR, em Newport, Grã-Bretanha.
IMPORTÂNCIA DE SUA OBRA
Imagem do projeto Hekuras - Jornada não linear pelo espaço-tempo poético
O interesse maior de Tânia Fraga concentra-se no desenvolvimento do
trabalho artístico intermediado por computador, com a criação de objetos
virtuais tridimensionais interativos (por meio da técnica da estereoscopia).
Estes objetos apresentam-se como campos de possibilidades que propiciam a
interação poética do usuário, possibilitando-lhe a imersão parcial no espaço
virtual criado. No início, esses objetos apareciam em instalações com
computadores e dispositivos especiais de visualização, mas agora eles estão
sendo também veiculados na Internet. Muitos dos objetos criados por Fraga foram
concebidos como sementes de uma obra interminável, destinando-se a dar
continuidade à criação de novos objetos, no futuro, e assim se proliferarem na
rede.
Artista multimídia, atua como videomaker, fotógrafo, poeta, designer
gráfico, produtor e diretor de cinema, TV e publicidade. Tendo iniciado suas
experiências com vídeo em 1974, Jungle fez parte do que Arlindo Machado
denominou geração do vídeo independente, composta por realizadores recém saídos
da universidade no início dos anos 1980. Junto a colegas da ECA-USP, constituiu
o grupo TVDO, marcado por um espírito anárquico, com o qual criou
videoinstalações e teve vídeos experimentais premiados nas cinco primeiras
edições do Videobrasil. Em 1986, fundou a primeira escola de vídeo do país, The
Academia Brasileira de Vídeo. Mestre em Arte e TV pela San Francisco State
University, Califórnia, foi bastante premiado por seus vídeos em mostras
competitivas nos Estados Unidos, Europa e América Latina. Atualmente, é sócio
da produtora Academia de Filmes. Dirigiu
recentemente o longa de ficção Amanhã Nunca Mais (2011) e o filme documentário
Evoé, Retrato de um Antropófago (2011), sobre o dramaturgo Zé Celso Martinez
Correa. Na TV, co-dirigiu com Nelson Motta o musical Mocidade Independente
(Bandeirantes), apresentou Fábrica do Som (Cultura), entre diversos outros
projetos.
Hudinilson Urbano Júnior (São Paulo SP 1957 - idem 2013). Artista
multimídia. Cursa artes plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado - Faap, entre 1975 e
1977. Experimenta múltiplas expressões artísticas como desenho, pintura, mail-art (arte
postal), graffiti, xerografia (arte xerox), performance e intervenções urbanas, nas quais o
corpo humano masculino é um tema recorrente. É um dos pioneiros no uso da arte xerox
no Brasil. Em 1979, funda o grupo 3nós3, com os artistas Rafael França (1957 - 1991) e
Mario Ramiro (1957), que até 1982, realiza intervenções artísticas na paisagem urbana
de São Paulo. A partir de 1982, inicia a série Exercícios de Me Ver, que consiste na
reprodução xerográfica de partes do próprio corpo, com exposições na Galeria Chaves, Porto
Alegre, e no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP em 1983. Seus
trabalhos em graffiti, utilizando estêncil, são elaborados desde meados da década
de 1980, no mesmo período, conhece Alex Vallauri (1949 - 1987), de quem recebe orientações
e o acompanha em alguns trabalhos. Em 1984 participa da 1ª Bienal de Havana e da
exposição Arte Xerox Brasil, na Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp, da qual é o
curador. Expõe na 18ª Bienal Internacional de São Paulo em 1985 e na 3ª Bienal de Artes
Visuais do Mercosul, em 2002.
Na série Exercícios de Me Ver,
Hudinilson Jr. (1957-2013) trabalha na reprodução xerográfica (arte xerox) de
partes do próprio corpo sobre a maquina de xerox criando assim deformações e
ligações com outas partes do seu corpo.
Hudinilson Júnior – Livro de artista. Em exposição no MAC USP
Hudinilson junior "O Fotográfico em minha produção"
Um artista que tem como atribuição a origem da videoarte. Nasceu no dia 20 de julho, ano 1932, falecendo no ano de 2006, no dia 29 de janeiro. Iniciou seus estudos na sua cidade natal, porém seus pais tiveram que fugir da Guerra da Coreia, indo para o Hong Kong, depois indo para o Japão, Paik se formando em Tóquio, em História da Arte e História da Música.
Se mudou para a Alemanha, para continuar seus estudos de música, conhecendo músicos como Karlheinz Stockhausen e John Cage, além de artistas conceituais como Joseph Beuys e Wolf Vostell, contatos que tiveram uma grande importância para a arte de Paik.
Em 1961, o artista entra para o grupo Fluxus, que se definiam, não como um movimento artístico ou momento histórico, mas sim, como um modo de fazer coisas, um modo de viver e morrer. Tinham como objetivo romper as barreiras da arte e da não-arte, como por exemplo, nas obras de Paik e Cage, onde exploravam sons e ruídos tirados da vida cotidiana.
John Cage na obra"Good Morning Mr. Orwell", 1984,de Nam June Paik.
O trabalho que o considerou como o pai da videoarte foi "TV Magnet", uma obra que possui televisores e ímãs que distorciam a imagem, como podemos ver o efeito abaixo, apesar de não ser a obra:
Este foi o começo para transformar este meio de comunicação, ultrapassando a figuração da tela com a distorção e deformação, possibilitando sensações, cor, ritmo, em um caráter abstrato, o que podemos ver no decorrer das suas obras. Isto nos deixa em uma de suas frases mais polêmicas, "a arte é pura fraude, você só precisa fazer algo que ninguém tenha feito antes.". Já que ele fez algo que ninguém tinha feito.
Em Globa Groove, de 1973, vemos essa reinvenção e a manipulação da linguagem desse meio comunicativo.
Já em TV Cello, 1964, obra realizada junto a Charlotte Moorman, vemos a forte influência do grupo Fluxus, uma performance onde a dupla empilhou televisores, performance que na música podemos ter a relação com John Cage, além do modo de viver do Fluxus.
*Ver performance de Nam June Paik e Charlotte Moorman no link acima, assim verá um pouco de "TV Cello".
Suas obras, além da experiência causada por essa manipulação e reinvenção da linguagem, buscam assim, uma televisão universal, onde a compreensão do espectador seja aberta, resultante de inúmeras visões e propostas sintetizadas. Assim vemos abaixo:
TV Relógio, 1989.
Nesta obra vemos vinte e quatro televisores, onde cada um representa uma hora do dia, mostrando que o tempo, algo dinâmico, é parte do estático da tecnologia e do ser humano.
Obra que utiliza de satélite, feita para os jogos Olímpicos de Seul, um trabalho que une o pop e a cultura de massa sem nenhuma hierarquia, segundo o artista.
TV Buddha, 1974.
Coloca no foco do seu trabalho a arte tendo como referencia a própria arte, o Buda é a arte em escultura, assim como sua imagem é a arte neste circuito fechado.
Mais de 300 monitores de televisão transmitindo inúmeros canais, mostrando a simultaneidade dos países, das telecomunicações, do espaço físico. Uma produção e difusão de imagens e informações.
Assim vemos a tentativa de uma transmissão universal pela reinvenção e manipulação do meio de comunicação.
Trabalho realizado por Bruno Nickel Fiori, Pedro Pedrada e Vinicius Lima, para a disciplina de Arte e Tecnologia, ministrada pela professora Simone Abreu, no curso de Artes Visuais da Fmu.
O trabalho se forma pelo grande desenvolvimento de 1950 aos tempos de hoje, o que nos faz pensar na velocidade que ocorreu este desenvolvimento. E apesar dessa evolução a capacidade como algumas coisas ficaram estagnadas, ou somem com o passar do tempo, isto presente não só no vídeo produzido, mas também no título dele.
"VE O D .", 2014.
O título do trabalho, VE O D ., é uma brincadeira com a palavra velocidade, onde suas letras somem de maneira progressiva até que se acaba no ponto, ponto que coloca ponto, o que reflete as questões da velocidade do tempo, do desenvolvimento das tecnologias e da comunicação, que apesar da velocidade muito está se perdendo no tempo, no caso da palavra, velocidade, as letras somem conforme pronunciamos. Porém nem tudo se perde, às vezes o que se deixa no tempo é algo bom, mas temos deixado muito no tempo problemas que estão estagnados, ou sendo empurrados.
Além dessas questões temos no vídeo, como sendo algo principal, a velocidade como as coisas, vídeos e fotos, passam na frente dos olhos do espectador, chegando a uma velocidade que não se pode identificar os acontecimentos, passando sem que nada seja contemplado, sem que nada fique no ser do espectador. Isso nos faz pensar em pensamentos como de ZygmuntBauman e Allan Moore, que se relacionam, o primeiro chega a nos apresentar a sociedade atual com a característica da liquidez, onde nada fica por muito tempo, onde tudo é algo passageiro, que não deixa marcas, fácil de ser deletado, tudo é tão rápido que não modifica o ser, o segundo, nos fala da mesma situação, mas mostra que chegaremos a uma sociedade a vapor, tudo será passado de maneira tão rápido, que se tornará insignificante, parecendo com que nada esteja se passando. É dessa forma que vemos trabalho, esta evolução da contemplação que deixa marcas, e transformações, à uma velocidade tão rápida, que poucos espectadores, ou talvez nenhum, verá o que está acontecendo, estaremos tão repletos de transformações tecnológicas e comunicacionais, que o espectador não conseguirá receber estas informações, ficando estagnado na frente do vídeo.