segunda-feira, 28 de abril de 2014

VE O D .

Trabalho realizado por Bruno Nickel Fiori, Pedro Pedrada e Vinicius Lima, para a disciplina de Arte e Tecnologia, ministrada pela professora Simone Abreu, no curso de Artes Visuais da Fmu. 

O trabalho se forma pelo grande desenvolvimento de 1950 aos tempos de hoje, o que nos faz pensar na velocidade que ocorreu este desenvolvimento. E apesar dessa evolução a capacidade como algumas coisas ficaram estagnadas, ou somem com o passar do tempo, isto presente não só no vídeo produzido, mas também no título dele. 




"VE O D   .", 2014.


O título do trabalho, VE O D   ., é uma brincadeira com a palavra velocidade, onde suas letras somem de maneira progressiva até que se acaba no ponto, ponto que coloca ponto, o que reflete as questões da velocidade do tempo, do desenvolvimento das tecnologias e da comunicação, que apesar da velocidade muito está se perdendo no tempo, no caso da palavra, velocidade, as letras somem conforme pronunciamos. Porém nem tudo se perde, às vezes o que se deixa no tempo é algo bom, mas temos deixado muito no tempo problemas que estão estagnados, ou sendo empurrados.

Além dessas questões temos no vídeo, como sendo algo principal, a velocidade como as coisas, vídeos e fotos, passam na frente dos olhos do espectador, chegando a uma velocidade que não se pode identificar os acontecimentos, passando sem que nada seja contemplado, sem que nada fique no ser do espectador. Isso nos faz pensar em pensamentos como de Zygmunt Bauman e Allan Moore, que se relacionam, o primeiro chega a nos apresentar a sociedade atual com a característica da liquidez, onde nada fica por muito tempo, onde tudo é algo passageiro, que não deixa marcas,  fácil de ser deletado, tudo é tão rápido que não modifica o ser, o segundo, nos fala da mesma situação, mas mostra que chegaremos a uma sociedade a vapor, tudo será passado de maneira tão rápido, que se tornará insignificante, parecendo com que nada esteja se passando. É dessa forma que vemos trabalho, esta evolução da contemplação que deixa marcas, e transformações, à uma velocidade tão rápida, que poucos espectadores, ou talvez nenhum, verá o que está acontecendo, estaremos tão repletos de transformações tecnológicas e comunicacionais, que o espectador não conseguirá receber estas informações, ficando estagnado na frente do vídeo.

Vinicius Lima

Um pouco de pensamentos do OkComputer...


VELOCIDADE.

VE OCIDADE.


VE O   DADE.



"VE O D   ."



segunda-feira, 21 de abril de 2014

O que dizer de André Vallias?

Espelho, 2013

Vallias é um designer gráfico, produtor de mídias interativas, poeta, e assim artista, que nasce em São Paulo no ano de 1963. Sempre rodeado de poéticas, por influência de seus pais, já que estes tinham uma biblioteca com grandes obras literárias, se dedica, na década de 80, ao estudo das proporções na arte, onde desenvolve uma série de desenhos, e em 1985, começa a criar seus poemas visuais, mas foi quando o artista foi a Alemanha em 1987, que vemos seu trabalho sendo formado como vemos hoje.

André Vallias, Autor Desconhecido

Na Alemanha foi movido pelas idéias do filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser, pois este propunha aos artistas a grande ferramenta que a mídia, como a internet e a computação, podia ser para a arte. Assim ele viu um espaço infinito para produzir obras, o que libertou a poesia da literatura como se conhecia nela.

Essa é um pouco de história de André Vallias, falaremos então, e finalmente, sobre um pouco de suas obras.

Suas obras exploram de maneira ampla a poesia, não só utiliza a palavras escrita, mas tambem os sons, os diagramas, movimentos, ou seja, tudo pode se configurar em uma poesia, possuindo assim uma poética muito diferente podendo ter uma leitura linear ou alinear, ou seja, uma interpretação mais livre, e é assim que nos mostra a "poiésis", uma poesia universal, de criação e feitura, sugerindo assim o crescimento de suas obras nas pessoas.

Um dos pontos interessantes do seu trabalho é essa interação que temos com seus poemas, que encontramos em seu site oficial, como a obra "IO", que só por meio da interação podemos intensificar essa analise da obra construindo a poiésis.

* Abaixo o link do site de André Vallias, com alguns poemas. Acreditamos que a interação deve ser feita a partir do site do artista.

http://www.andrevallias.com/poemas/index.htm# 

IO

Partindo do link disposto, acima da imagem do poema "IO: analysis", temos o poema "Nous n'avons pas compris Descartes", que nos mostra no próprio poema, uma figura plana e um poema, há muito que falar sobre esta obra, mas nela vemos algo simples, e grandioso, como nos mostra Roland de Azeredo Campos: 

"A folha quadriculada e lisa magicamente se transmuda num tapete voador ondeante. Efeito da in(ter)venção humana, consequência da vida. O artista pensa. Ergo, existe a arte."

O que nos faz poder pensar no pensar é existir, tanto do ser humano, tanto da arte, e como é esse fazer existir a arte, é no erguer, é no pensar. Além de nos propor um salto à partir do plano que foi erguido, um salto a poiésis.

Há muito que se falar de cada obra desses artista, aqui colocamos como um inicio para que cada pessoa descubra a obra de André Vallias, pois muito se faz à partir da interação da obra que encontramos em seu site.

Abaixo links com suas obras, para que cada um tenha o contato com a poiésis.




Por: Vinicius Lima

Daqui alguns tempinhos André Vallias

Apesar de não ser de André Vallias, podem acreditar que tem André Vallias.


Greve, 1962, Augusto de Campos

domingo, 20 de abril de 2014

Sobre Bill Viola

Simplesmente um dos pioneiros do que se convencionou chamar de VideoArte, e que podemos considerar como o maior, ou um dos maiores, videoartistas da atualidade. Suas criações são de uma simplicidade e de beleza única, que nos leva a imersão e a perca do tempo, fazendo com que percebamos as dimensões invisíveis da vida.

Viola nasceu em Nova York no ano de 1951, no dia 25 de janeiro, iniciando seus trabalhos artísticos no ano de 1972, quando o vídeo já era um instrumento acessível a muitos.

Porém viu, como outros pioneiros da videoarte, no caso Nam June Paik (1932-2006), Dam Graham (nascido em 1942), Vito Acconci (nascido em 1940), e Bruce Nauman (nascido em 1941), neste instrumento o que poucos poderiam imaginar. 

Captou de maneira sensível, e simples, momentos invisíveis da vida, ao qual o artista queria mostrar e introduzir o espectador, fazendo com que este tenha um autoconhecimento através de seu sistema perceptível.

Além desses momentos da vida contemporânea, parte de suas obras podemos ver como releituras, como no caso da obra "Surgimento", 2002, uma releitura do afresco "Pietà", 1424, do artista italiano Masolino da Panicale. Essas obras não são uma reencenação, pois sua obra não evoca o sofrimento, e sim, celebra o ciclo da vida, como se fosse um parto.


A esquerda, "Surgimentos", Bill Viola. A direita, "Pietà", Masolino da Panicale.
Partindo de releituras, ou não, seus trabalhos evocam a emoção como movimento, contendo aspectos contemporâneos, até mesmo nas releituras, transitando em dualidades da vida, como dor e alegria, vida e morte, claro e escuro, água e fogo, o que faz o espectador imergir em seus vídeos, que possuem uma manipulação do tempo, já que em seus trabalhos vemos que existe a existência da câmera lenta para que o observador tenha a contemplação de cada detalhe invisível ao tempo real, tendo assim uma interpretação livre e pessoal, para sua própria transformação.

Abaixo podemos ver em suas obras toda essa imersão, ou parte dela, como sua simplicidade e grandiosidade.



"The Reflecting Pool", 1977-79 


"The Quintet of Astonished", 2002


"Silent Mountain", 2001


"The Messenger", 1986


Escrito por: Vinicius Lima

domingo, 6 de abril de 2014